| Processo De Inclusão | |||
| 23/03/2011 | ||
O primeiro “Seminário de Avaliação do Processo de Inclusão Escolar da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla na Educação Básica”, acontecerá em todos os municípios do país. A intenção é avaliar como as escolas regulares estão lidando com esses alunos e se eles estão realmente aprendendo, se socializando e satisfeitos com a inclusão. Em Umuarama, pais, professores, especialistas e alunos responderão a um formulário para fazer uma radiografia da situação municipal e projetar mudanças.
Em uma reunião feita ontem no auditório da prefeitura, 70 pais, alunos e direção da Apae, além de secretários e coordenadores da educação especial dos 19 municípios da região, discutiram os primeiros passos para o seminário, que neste momento será feito a nível municipal, depois estadual e por fim nacional.
Segundo Hernestina da Silva Fiux Mendes, que é uma das coordenadoras da Educação especial no Núcleo Regional de Educação (NRE), o seminário ainda não tem data marcada em Umuarama, mas irá avaliar, em alunos de 1ª a 4ª série do ensino comum, quatro eixos: se as escolas estão estruturalmente preparadas para esses alunos, se há socialização da criança deficiente com os colegas e comunidade, se está havendo aprendizagem e satisfação do aluno.
SITUAÇÃO ATUAL DE UMUARAMA
Segundo levantamento feito pela Secretaria Municipal de Educação, atualmente há 24 alunos inclusos no ensino regular, com deficiências consideradas mais graves. Desses, três estão na Educação de Jovens e Adultos (EJA), um com deficiência auditiva e os outros dois com deficiências múltiplas. O restante são alunos com Síndrome de Down, deficiências neuromotoras, múltimas e Distúrbios Globais do Desenvolvimento (DGD). Outros 50 possuem distúrbios leves que não precisam de professor de apoio na sala de aula, porém, fazem contraturno com apoio pedagógico especializado. Já as deficiências chamadas severas limitam-se nas Apaes.
De acordo com material enviado pela Federação, as pessoas com deficiência intelectual e suas famílias apontam sistematicamente que não percebem evolução acadêmica em seus familiares com deficiência e que são alunos do sistema público de ensino, relatando que às vezes esses alunos são submetidos a situações vexatórias que desestimulam sua vida escolar. Assim não é raro que a família procure as escolas especiais pedindo para que os alunos voltem para lá, pois a pessoa com deficiência não se sente incluída dentro do sistema comum de ensino.
A proposta então é que a partir deste mês, as Apaes em parceria com o sistema público de ensino, façam uma avaliação dos avanços e dificuldades encontradas no sistema comum de ensino, bem como discutir o papel das escolas especiais nesse contexto. “A pretensão é elaborar um documento final em cada seminário municipal, para que num encontro estadual, se possível, seja feito um documento por estado apresentando assim as peculiaridades regionais, servindo para negociação com autoridades de todos os níveis”, afirma a Federação. ALGUMAS ABORDAGENS
No eixo da estrutura da escola há perguntas como: “A escola teve algumas reestruturação física, de ambiente ou pessoal?”, “Há apoio para que professores discutam as questões dos seus alunos com deficiência?”, “Na sua escola você tem material escolar só pra você ou é igual a dos seus colegas?”, “Existem diferenças da sua sala pras outras?”, “Você tem alguém que te ajuda a realizar os exercícios?”, “Sua sala tem menos alunos que nas outras?”.
No eixo da socialização: “Você tem colegas na escola ou um que seja seu melhor amigo na sala de aula, que te ajuda e freqüenta sua casa, faz passeios e festas com você?”, “Seu filho é convidado para festinhas de aniversário ou passeios por colegas?”.
No eixo da aprendizagem: “O professor encontrou dificuldades para ensinar o aluno com deficiência?”, “O aluno apresenta avanços?”, “Sua aprovação é automática ou depende de avaliação?”, “A prova é diferenciada?”, “O aluno está mais independente?”, “Você acompanha tudo o que o professor faz em sala de aula?”, “Você aprendeu a ler na escola comum ou especial?”.
No eixo da satisfação: “Há alguma frustração do professor em relação a esse aluno?”, “Seu filho está feliz na escola?”, “Discute-se com ele se ele prefere estudar ali ou em outra escola?”, “O professor conversa com você pra saber se você gosta de estudar ali?”.
São aproximadamente cem questões, objetivas e indutoras de debate que devem ser entregues à Federação das Apaes do Estado do Paraná até o final de abril de 2011.
OBJETIVOS
- Avaliar o que está sendo oferecido aos alunos inclusos nas salas de aula do ensino fundamental, séries inicias, no qual deverá ser organizado o sistema educacional do município de forma a atender plenamente naquilo que as crianças com deficiência intelectual e múltipla têm direito;
- Privilegiar a participação de professores, especialistas da educação, pessoas com deficiência e de familiares que estejam envolvidos nesta experiência, garantindo assim uma visão real dos que vivem a questão da inclusão diretamente